Logotipo Mobiliza Piraquara
A cidade que queremos começa por nós!
CAUSA ANIMAL

A agonia nas ruas e a omissão nos gabinetes: o colapso da causa animal em Piraquara

Sem abrigo, sem recolhimento e sob um surto silencioso de esporotricose, a cidade terceiriza sua responsabilidade enquanto animais agonizam nas calçadas. Até quando dependeremos de favores políticos externos para fazer o básico?

Foto Willian Sauerbier
Willian Sauerbier
Foto gato com esporotricose em Piraquara
Servidor em ligação diz que não pode fazer nada

A causa animal em Piraquara não está doente; ela está na UTI, respirando por aparelhos e implorando por um socorro que o poder público municipal se recusa a prestar. O que deveria ser uma política pública estruturada, com orçamento e planejamento, transformou-se em um jogo de empurra-empurra burocrático onde quem paga a conta — com a própria vida — são os animais de rua.

O retrato mais cruel dessa falência institucional foi escancarado nesta semana. Um morador, diante de um gato de rua em grave estado de sofrimento em frente à sua casa, tentou o que qualquer cidadão faria: pedir ajuda à prefeitura. A resposta que recebeu dos serviços de vigilância sanitária e bem-estar animal é um atestado de incompetência oficial. .

A justificativa oficial? O município não recolhe animais. A Secretaria de Saúde até oferece tratamento, mas com uma condição absurda: o cidadão que encontrou o animal agonizando precisa se tornar o "tutor responsável" e levá-lo para casa. No caso deste morador, abrigar o felino era impossível devido à presença de um cão de grande porte, o que geraria um risco iminente. A resposta do sistema para esse impasse? Nenhuma. .

A desculpa estrutural é ainda mais revoltante. O município admite que o espaço da Secretaria de Meio Ambiente não possui gatis ou isolamento adequado para felinos, sendo voltado apenas para cães (e olha lá). Ou seja, se você for um gato de rua em Piraquara, o poder público virou as costas para você. .

Essa omissão ganha contornos de tragédia sanitária quando olhamos para as ruas. Piraquara enfrenta um surto silencioso e perigoso de esporotricose — uma doença fúngica grave, altamente contagiosa entre gatos e que pode ser transmitida para humanos. Sem um Centro de Zoonoses estruturado, sem recolhimento e sem isolamento, a prefeitura permite que a doença se espalhe livremente, transformando um problema de bem-estar animal em uma verdadeira bomba-relógio de saúde pública. .

A dura realidade é que, se não fosse a intervenção externa, o cenário seria catastrófico. Nos últimos anos, a única tábua de salvação para centenas de animais em Piraquara tem sido a parceria com o Deputado Federal Delegado Matheus Laiola. É através do mandato dele que conseguimos encaminhar casos graves para o Hospital Veterinário (Hpet) em Curitiba. .

Mas a pergunta que não quer calar é: até quando Piraquara vai viver pedindo pinico? É inaceitável que uma cidade do nosso porte dependa da boa vontade de um deputado federal para fazer o que é obrigação básica do prefeito e de seus secretários e superintendentes. .

A orientação da prefeitura para que a população "abra protocolos" para pressionar a criação de um abrigo é a confissão final de que a gestão atual não governa por planejamento, mas por pressão. Eles sabem do problema. Eles conhecem o surto de esporotricose. Eles ouvem o choro nas ruas. Mas escolhem a inércia. .

A causa animal não é "frescura" ou pauta secundária. É saúde pública, é civilidade, é respeito à vida. Piraquara precisa urgentemente de um Centro de Zoonoses de verdade, de políticas de recolhimento eficazes e de vergonha na cara para assumir suas responsabilidades. .

Enquanto a prefeitura continuar lavando as mãos, o sangue nas ruas continuará sendo a marca registrada dessa gestão.